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As sacolas e o cavalheirismo (ou a falta dele)

Julho 21, 2008

Não lembro onde li um texto escrito por uma mulher em que ela reclamava dessa briga feminina pela igualdade dos sexos. Ela dizia que nós só saímos perdendo nessa história, acumulando responsabilidades, papéis e tarefas. Não sei se concordo com isso todos os dias, mas hoje, agora, nesse momento, estou concordando plenamente. Vou explicar:

Fui na garagem do meu prédio buscar o resto das compras de supermercado que minha mãe não aguentou trazer sozinha. Quando cheguei à garagem, ao lado do carro da minha mãe estavam dois homens, assim pais de família, de barba, fofocando da vida alheia. Eu comecei a pegar os sacos. Eram mais ou menos 7 e tinham caixas de leite, caixa de latinhas de cerveja, frango e mais seiláoque, só sei que eram pesadas. Como eu não aguentei pegar todos de uma vez, deixei metade do lado do carro (e, consequentemente, do lado dos jovens senhores) e levei uma parte para a porta do elevador. Eles? Continuaram conversando miolo de pote. Um deles inclusive com shoxtinho fitness, vindo provavelmente de uma caminhada em prol de uma vida mais saudável. Eu voltei e peguei o resto dos sacos e fechei o carro. Eles pararam de fofocar e o de shoxtinho foi para o elevador. Outro homem pai de família e de barba também está aguardando o elevador. Eu pego os 7 sacos, visivelmente pesados, e entro no elevador. Eles? necas! O homem fitness mora um andar abaixo do meu. Chegou no andar dele, ele deu um até logo e eu o mandei a merda. Tá, mentira. Não mandei a merda. Mas não respondi o até logo. “Está pesado?”, pergunta o outro. “Bastante”, eu respondo. “Quer ajuda?” e pega dois sacos.  PORRA, QUANDO FALTA 5 SEGUNDOS PARA EU CHEGAR NA MINHA CASA ELE OFERECE AJUDA? Agradeci e entrei na minha casa, indiguinada com a falta de cavalheirismo desse povo. O outro deve ter chegado em casa satisfeitissimo com a vida saudável e cheia de energia que ele leva pra fazer sabe-seláoque, já que nem pra ajudar a carregar sacola ele serve. O outro deve ter entrado em casa satisfeito por ter feito uma (no conceito dele) boa ação.

É, ganhamos o direito de carregar nossas próprias sacolas de supermercado. Mas não tem problema, vou ali aproveitar alguma coisa dessa igualdade de sexos e tomar a cerveja que eles não me ajudaram a levar.

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